terça-feira, 12 de junho de 2007

Mocidade

Nobremente, o sujeito se anuncia, com voz grossa e imponente.
Feito gente, humana e feliz, o homem critica a leviandade desta vida sem cura.
Critica a vida. Critica-nos.

Nobremente, o homem se impõe ao pensamento que pensa ser demente.
Feito gente, faz-se gente, em frente aos que considera levianos e decadentes.
Critica a vida. Critica-nos.

Nobremente, usa de sua máxima persuasão, faz como fez Platão.
Retoricamente, retoma a posição de gente e se recolhe à insignificância mortal
A qual ele deveria estar acostumado.

Depois, a idade chega e arrebata a continuação.
O homem faz-se valer um tostão.
Não é mais nobre, apenas feliz sóbrio.

Nobremente, se acostuma, senta e vê a vida passar
Como quem nada mais espera, mas mesmo assim senta e espera
Deixando passar os pensamentos que uma vida cheia de vida o dera.

Afinal, o nobre tornou-se humilde em pensamentos.
Nobre não mais.
Voltou a ser apenas o pobre.

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